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02 de Maio de 2016

Rosário

Maria. Mulher simples, silenciosa e humilde. Mulher de uma fidelidade inquebrantável, de uma confiança inabalável. Mulher que sempre soube deixar o coração aberto à Palavra de Deus, tão aberto que - gosto de pensar assim - em qualquer momento em que o anjo viesse a encontraria em oração, atenta ao que o Senhor lhe quisesse dizer. A essa mulher a Igreja foi confiada pelo próprio Cristo e a ela a Igreja, por sua vez, quer confiar-se para que, ajudada por sua intercessão e cuidado, chegar mais perto de seu divino fundador, filho dela, nosso Senhor. Por isso rezamos o Rosário, oração simples como é simples aquela a quem nos dirigimos e profunda como são profundos os mistérios que nessa oração contemplamos.
O Rosário conta os passos de Cristo e deve[ria] contar também os nossos, ditar-nos o ritmo, apontar-nos direção, preencher-nos o coração daquele Cristo, de seu coração divino que passou já aqui onde passamos, viveu também já aqui onde vivemos e viveu feliz, sempre viveu. Eis-nos diante daquele que se diz caminho e o faz à nossa frente, desvela-se diante de nós a verdade escondida há séculos. Encarna-se o Verbo, primeiro mistério da alegria do mundo, verdade que a todos cativa e que ao mundo redime. Vê-mo-lo, então, aparecer ao mundo, epifania, e ser a Deus e ao mundo oferecido, por Ele, pela nossa redenção. Ei-lo mais tarde batizado e anunciando, com palavra e gesto, o Reino há tanto esperado, chegado agora: “Eu Sou”, grita o Cristo, o Cordeiro, “a Salvação do Mundo!” Incansável segue, peregrino, espalhando pelo mundo e corações a semente nova, pequenina, do saudoso paraíso, nossa pátria antiga quase esquecida e lança-se ao chão, Ele mesmo semente, morte aceita, abraçada, amada, sacrifício novo e verdadeiro de aliança agora eterna, permanente, eloquente e convincente, grito de guerra vitorioso do Cristo, o Sol Nascente que nos veio visitar! Ei-lo agora ressurgido, a semente germina, vira árvore e à sua sombra já nos pode abrigar e alimentar com fruto abundante, inesgotável, saciando-nos a fome e nos salvando da morte por nós tão merecida! Eis-nos aqui, olhando o céu, olhando o alto como no passado, satisfeitos, acomodados com a alegria instantânea de um momento, uma prece, mais um terço rezado, repetido, repetido, repetido... e ei-lo dizendo, outra vez, aos corações por Ele cativados, “Eu Sou”, grita Ele outra vez e sempre, “a Salvação do Mundo e vós”, com voz ainda mais estridente, “sois da terra o sal, o sabor que de mim trazeis e a luz do mundo, sois, todos vós, comigo a Salvação, o meu Reino já presente, próximo de todo coração”.
Eis-nos aqui, de prece em prece, passos dados em toda direção, espalhados, quais sementes, pelo mundo como Cristo, multiplicado, oferecido, sacrificado sobre altares, Eucaristia que nos nutre, peregrinos, e no chão, tantos lugares, os pequeninos que são Cristo disfarçado, escondido, pedindo-nos amor e sacrifício, nossa or[ação]. Eis, toda a terra é altar e nós, ostensórios do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!
Paulo Chaves, 1º Filosofia.
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