Testemunho Vocacional

08 de Setembro de 2017

Seminarista Jailton

Decidi assumir com responsabilidade, não mais com o pensamento de querer namorar, mas de me doar verdadeiramente

Meu nome é Jailton Santos Arruda, tenho 28 anos, nasci no dia 18 de setembro de 1988. Sempre gostava de brincar com meus irmãos de carrinho de madeira que eram feitos por nós mesmos. Passava a tarde inteira brincando e minha mãe mandava estudar e brigava muito conosco. A partir dos meus oito anos comecei a ir sozinho para a igreja ou ia com uma vizinha, participava das celebrações, das missas. Em 12 de outubro de 1997, dia de Nossa Senhora Aparecida, aos nove anos, fui batizado e continuei participando das missas. Após o batismo entrei na catequese e parecia que nunca ia terminar, foi um processo muito longo, mas valeu a pena. Neste período me interessei para entrar no grupo de coroinhas da Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que pertence à Paróquia Nossa Senhora Sant’Ana. Recebi a Primeira Eucaristia aos 18 anos, em 2006. Neste mesmo ano, com a chegada do bispo Dom Dominique You, comecei a participar do grupo de jovens e entrei na catequese para crismar. Fui crismado no ano de 2009. Após a crisma, fui convidado para ser coordenador do grupo de jovens da Comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Em 2007 aconteceu na diocese uma missão jovem, onde pela primeira vez eu participei de um encontro da igreja. Minha vontade era só curtir, namorar, conhecer as meninas. Porém, naquele encontro fiquei inquieto porque fui encantado por ver tantos jovens se doando pela igreja e estava ali querendo namorar, achei aquilo muito bonito. Continuei como coordenador do grupo e decidi ser catequista para crianças. 

Em 2007 aconteceu a mesma missão jovem, mas na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Santana do Araguaia. Decidi assumir com responsabilidade, não mais com o pensamento de querer namorar, mas de me doar verdadeiramente. Durante a missão, conversava bastante com o bispo e com uma leiga consagrada, chamada Suraya. Perguntava o quê precisava fazer para entrar a missão diocesana. Queria doar um ano da minha vida para a missão na diocese. Neste período, dava palestra aos jovens nas comunidades para leigos, nas escolas passava de sala em sala falando da campanha da fraternidade. Fiquei um mês fora da missão porque tinha que terminar o ensino médio. Voltei para a missão diocesana, onde padre Josiano que, na época era seminarista, estava na coordenação. Falava da minha vontade de entrar no seminário, mas tinha muito medo de falar para o bispo. Certo dia conversando com o padre Josiano, fui incentivado a conversar com bispo sobre isso. Tomei coragem e fui conversar com Dom Dominique. Dizia que tinha um a vontade enorme de entrar no seminário. Percebia que Deus queria algo mais de mim, porque sabia da necessidade da diocese de Santíssima Conceição do Araguaia. Ele sorriu e disse que a diocese estava de braços abertos para me acolher. Fomos, então, para a capela rezar e colocar isso no coração de Deus. Saí muito aliviado e esperançoso. Ao terminar a missão, no dia 8 de dezembro de 2010, entregamos para outra equipe. Dom Dominique decidiu que eu ficaria em 2011 morando com o Frei Gilson e ajudando na paróquia. Fui aprovado para entrar nos Seminário Maior de Brasília Nossa Senhora de Fátima em 2012. 

Tive muito medo porque iria deixar minha diocese e entraria em outra realidade, conhecia apenas os seminaristas José Bonfim, Divino, Edilson e Josiano, hoje padre. Era tudo novidade, vim para a capital do país. Padre Paulo Batista e padre Marco Antonio Forero me acolheram. Comecei os estudos sabendo das minhas dificuldades acadêmicas, que eu trazia desde a minha infância. Por isso, no primeiro ano de filosofia quase fui mandado embora, mas graças ao bispo e ao reitor tive mais uma chance. Fiz novamente o primeiro ano. Foi mais um momento difícil, por estar em outra turma. Contudo, fui bem acolhido pelos meus novos colegas de turma. Eles, sabendo das minhas dificuldades, propuseram-se a me ajudar na vida acadêmica. Queria fazer diferente, empenhei-me a conseguir boas notas. Fiquei feliz por ter ajuda dos meus colegas. Dom Dominique ficou muito contente pelo meu empenho. Ao longo desse processo, percebi que Deus queria que eu estivesse onde eu estou hoje. Fui ajudado por pessoas de outras turmas também.

Em 2015, terminando a filosofia, tive sérios problemas familiares. Parecia que estava tudo bem. Mas, com a descoberta da doença da minha mãe, esclerose múltipla, fiquei muito abalado. Tive a experiência de Jesus Abandonado. Pensei em sair do seminário para cuidar da minha mãe. Estive com ela na Semana Santa e nas férias de julho. Ela dizia que acontecesse o que for era para eu ser firme e forte, não desanimar, porque sempre tive o apoio dela. Trouxe minha mãe para Anápolis para fazer o tratamento, mas doença já estava bem avançada, mas continuava a cuidar dela mesmo assim. Tive a ajuda da minha irmã Joyce. Na última semana para voltar para o seminário das férias, estava muito indeciso, porque estava pensando em não voltar para cuidar da pessoa que eu mais amava. Mas eu tinha que terminar a monografia. Minha mãe estava acamada, deitada, pediu que eu voltasse, pois, a Joyce continuaria cuidando dela. Voltei tranquilo, mas estava muito triste e chorava bastante. No retiro rezei bastante pela vida dela. Na quarta-feira durante o retiro, minha irmã me ligou dizendo que minha mãe havia piorado. O reitor me deu o dinheiro da passagem. Aquela quinta-feira foi o último momento que encontrei minha mãe viva, respirando somente com a ajuda de aparelhos. Chorava como uma criança abandonada. Toda vez que o telefone tocava, pensava que era notícia do hospital. Naquela noite não dormi bem. Estávamos na parada de ônibus, meu cunhado ligou dizendo que minha mãe havia falecido. Voltei ao Pará levando corpo da minha mãe. Enterramos a minha mãe. Voltei para o seminário, chorei bastante aqui. Disse ao Senhor: tenho uma vida a seguir. Ainda hoje carrego essa dor, sinto muita falta dela, mas continuo com minha missão. Busco sempre seguir o exemplo da minha mãe. Hoje estou no 2º ano de teologia; louvo a Deus por esses momentos tão difíceis na minha vida. Percebi que Deus sempre esteve do meu lado. Digo aos jovens que se deixem guiar por Deus. Encontraremos sempre dificuldade, mas permaneçamos sempre no olhar de Cristo Ressuscitado. É Ele que me sustenta a todo instante.

 

“Vai, portanto, que Eu estarei com tua boca e te ensinarei o que deverás dizer” (Ex 4, 12).

 

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1 Comentário

  • Verashaume 12 de Outubro de 2017

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